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RETOMADA ANCESTRAL

Historicamente grupos racializados são apagados, invisibilizados e excluídos socialmente. E o motivo pelo qual isso acontece, tem a ver com as desigualdade que nos cercam. Deslegitimar nossas identidades é um processo colonial que começou séculos atrás e continua existindo estruturalmente. Essa estrutura é branca, rica e poderosa. Um sistema feito e pensado por pessoas brancas. Com direitos e privilégios garantidos.


O conceito de raça e racismo, precisa ser estudado, aprofundado e compreendido. Ele foi criado por um homem branco e invasor (colocado como herói e descobridor) que ao chegar no território Abya Yala, encontrou comunidades originárias, pessoas indígenas que eram vistas como animais ou "selvagens". Esse comportamento sobre questionar a nossa humanidade, é o princípio de dor, violência, estupro, embranquecimento e apagamento étnico.


Contextualizar esse tema é uma urgência para que possamos contribuir com uma sociedade mais informada, menos colonial, etnocida e racista. O processo de retomada identitária, não existe apenas no contexto indígena. Toda identidade pode ser retomada. Assim como outros grupos étnicos e racialiazados o fazem. Por exemplo, pessoas negras e amarelas.


Resgatar a nossa identidade, está conectado com a nossa ancestralidade. Como podemos seguir adiante sem olhar para atrás? Retomar a nossa identidade é resistir junto de nossos ancestrais. É sobre mover-se junto, genuinamente no mesmo sentido. Há pessoas indígenas que perderam as referências étnicas e informações de seu povo. Nesse sentido, buscam pelas informações de seus familiares no resgate dessas histórias. Alguns sabem a que povo pertencem e podem iniciar um movimento de se aproximar, reconectar.


Muitas pessoas indígenas, negras e amarelas estão vivenciando isso. O processo de retomada, é o resgate daquilo que é nosso por direito: a história, consciência política, nossa espiritualidade, cultura, cosmovisões, hábitos, estilos de vida. É reafirmando nossa memória que conseguimos construir um mundo melhor, honrando nossos ancestrais, a natureza e o modo de vida originário. O respeito a diferentes histórias, é sobretudo a compreensão que existem diversos contexto de dor, violência e etnocídio. É sobre descolonizar nosso pensamento, reconhecendo que as histórias que não tivemos a possibilidade de escrever anteriormente, está sendo contada, recontada, transcrita.


O que nos possibilita isso é retomar a nosso próprio caminho. Reconectar com os nossos, voltar pra casa, sentar aos pés dos nossos mais velhos e ouvi-los. É seguir o caminho do bem viver; lembrar que pisar na terra, tomar banho de rio, pertencer, olhar nos olhos dos bichos e gentes, lutar pelo bem viver. Isso é importante para todos que não tiveram a alegria de vivenciar a simplicidade da nossa essência.

Indígena é indígena é contexto indígena: seja na aldeia, na favela, na comunidade, na periferia, na montanha, na cidade, na maloca, no apartamento, no Canadá ou no Brasil. Indígena é indígena no contexto da sobrevivência, de não ser apenas mais um dado. Estamos vivos, lutando, aprendendo e reconectando com o nosso sagrado.

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